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Alimentação (CEAP) · Gasto por partido

PL tem a maior conta de alimentação

Quando a alimentação paga pela cota parlamentar é somada por partido, o PL aparece no topo, com R$ 433 mil. A diferença chama atenção, mas não deve ser lida sozinha. Parte do resultado vem do tamanho da bancada: mais deputados significam mais cartões em uso. A outra parte aparece só quando a conta é dividida por deputado. E há ainda um limite importante: um terço das despesas não traz partido identificado.

Por que olhar a refeição por partido?

Cada deputado federal recebe a cota para o exercício da atividade parlamentar (CEAP) e presta contas de como a usa. Os registos são públicos e detalham cada despesa, incluindo a alimentação — os almoços, jantares e cafés pagos no exercício do mandato. A refeição é uma fatia pequena do total da cota, mas é uma das mais legíveis: valores baixos, repetidos, que se acumulam num retrato de rotina.

Reunimos essas despesas por estabelecimento e, depois, somámo-las pelo partido do deputado que pagou. A pergunta não é ‘quem come mais caro’, mas o que muda quando a mesma conta é lida junto do tamanho de cada bancada. Um ranking por partido, se for lido sem esse cuidado, mede sobretudo quantas cadeiras a legenda tem.

O gasto somado: as maiores bancadas no topo

Alimentação (CEAP) · Gasto somado por partido
Gasto com refeições
1PLPartido Liberal · 61 deputadosR$ 433.712-
2PTPartido dos Trabalhadores · 51 deputadosR$ 241.799-
3PSDPartido Social Democrático · 33 deputadosR$ 233.463-
4PPProgressistas · 43 deputadosR$ 230.818-
5REPUBLICANOS36 deputadosR$ 179.837-
6MDBR$ 163.999-
7UNIÃOR$ 163.309-
Fonte · Despesas de alimentação da cota parlamentar (CEAP) somadas por partido do deputado · Apenas partidos identificados

O PL gastou R$ 433.712, à frente do PT (R$ 241.799), do PSD (R$ 233.463) e do PP (R$ 230.818). Logo abaixo aparecem REPUBLICANOS (R$ 179.837), MDB (R$ 163.999) e UNIÃO (R$ 163.309). Boa parte desse desenho é aritmética de bancada: o PL também é o partido com mais deputados nestes dados (61), seguido por PT (51), PP (43) e REPUBLICANOS (36). Quanto maior a bancada, mais cartões em circulação e maior tende a ser a soma. O ranking de gasto, nessa primeira leitura, se parece bastante com a composição da Câmara.

A soma mostra o peso das bancadas. A divisão por deputado mostra o hábito de gasto dentro delas.

Há uma segunda régua: o gasto por deputado

Se a primeira soma mede sobretudo tamanho, a segunda régua corrige essa diferença: dividir o gasto do partido pelo número de deputados que aparecem nele. Aí o quadro muda. PL e PSD ficam praticamente empatados no topo, com cerca de R$ 7,1 mil por deputado (PL: R$ 433.712 ÷ 61; PSD: R$ 233.463 ÷ 33). A comparação importa porque os dois partidos têm tamanhos diferentes, mas chegam a um padrão individual parecido.

Alimentação (CEAP) · Gasto ÷ deputados identificados = gasto por deputado
Por deputado
1PLR$ 433.712 ÷ 61 deputados≈ R$ 7.110-
2PSDR$ 233.463 ÷ 33 deputados≈ R$ 7.075-
3PPR$ 230.818 ÷ 43 deputados≈ R$ 5.368-
4REPUBLICANOSR$ 179.837 ÷ 36 deputados≈ R$ 4.995-
5UNIÃOR$ 163.309 ÷ 33 deputados≈ R$ 4.949-
6PTR$ 241.799 ÷ 51 deputados≈ R$ 4.741-
Fonte · Soma de alimentação de cada partido dividida pelo número de deputados distintos da legenda nestes dados · Unidade: reais por deputado

O contraste mais nítido é o do PT. Com uma bancada quase do tamanho da do PL (51 contra 61), o partido fica em segundo na soma total, mas cai para o fim entre as grandes legendas no gasto por deputado: cerca de R$ 4,7 mil por parlamentar. Ou seja, o PT aparece alto porque tem muita gente na base identificada, não porque cada deputado gaste muito. O PSD faz o movimento oposto: uma bancada média (33) que, por cabeça, se aproxima da maior de todas. A ordem das bancadas e a ordem do gasto por deputado contam histórias diferentes.

Um terço da conta não tem partido

Há um limite que nenhuma das duas réguas resolve: em cerca de um terço dos gastos — R$ 952.900, ou 32,5% do total de R$ 2,94 milhões— o registo da despesa não trazia o partido do deputado. Essa fatia, maior do que PL e PT juntos, fica fora do ranking por sigla. As tabelas acima comparam apenas os valores que puderam ser atribuídos a um partido. Não é detalhe de rodapé; é a maior parcela individual da base, justamente por não ter sigla.

Ainda assim, a parte identificada tem um desenho claro: PL lidera a soma, as maiores bancadas vêm em seguida, e PL e PSD ficam à frente quando a conta é dividida por deputado. A parcela sem partido pode mudar os totais, mas não permite atribuir esse dinheiro a uma legenda específica.

Por que isto importa

Somar por partido transforma uma pilha de recibos numa pergunta política, mas a resposta precisa de duas leituras. A primeira mostra como o gasto acompanha o tamanho das bancadas. A segunda separa tamanho de hábito: revela que PL e PSD, apesar de escalas diferentes, têm gasto individual parecido, enquanto o PT é grande na soma e mais baixo por cabeça. O terço sem partido lembra que, mesmo num sistema de contas abertas, parte do retrato continua incompleta. Uma soma simples por sigla não basta; é preciso ler a mesma conta pelo total, por deputado e pelo que ficou sem identificação.

Método e fonte · Despesas classificadas como alimentação na cota parlamentar (CEAP), divulgadas pela Câmara dos Deputados (camara.leg.br/cotas), reunidas por estabelecimento e somadas pelo partido do deputado que pagou (campo de partido no registo da despesa). Gastos sem partido identificado — cerca de R$ 952.900, 32,5% do total — ficam de fora do ranking por sigla. ‘Gasto por deputado’ é a soma do partido dividida pelo número de deputados distintos da legenda nestes dados; como há mudanças de partido ao longo do período, esse número é aproximado. A classificação aponta para o partido contabilizado, não para qualquer deputado em particular. Valores em reais (R$). Contagem de dados · kookrator.

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